Dentre as
quatro primeiras colocadas, Portugal era a única que tinha uma postura tática
mais fixa, apostando no jogo mais verticalizado e menos em posse de bola.
Diferentemente de muitos times que jogam esperando o craque fazer a diferença,
Portugal jogava para que o craque fizesse a diferença. Nani compunha o meio
pela direita, em balanço defensivo que permitia a Cristiano Ronaldo não se
preocupar muito com a marcação. Com a bola, as jogadas eram verticais e
normalmente pelos lados do campo. Ora com Coentrão e Ronaldo pela esquerda e, principalmente,
com Nani, João Moutinho e João Pereira pela direita, buscando o passe em
diagonal para a infiltração de Ronaldo. Grande parte das jogadas perigosas de
Portugal saíram dessa maneira (como pode ser visto na imagem abaixo).
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| Principal jogada de Portugal: situação de ataque armada pelo lado direito e passe para infiltração diagonal de Cristiano Ronaldo pelo lado oposto. |
A Alemanha foi
eliminada nas semifinais, mas foi a seleção que apresentou o futebol que mais
empolgou público e imprensa (seu pior jogo foi justamente o da semi). Com um
futebol envolvente, valorização da posse de bola e postura bastante ofensiva em
campo, condições que só são conseguidas com eficiência se a organização e a
filosofia estiverem bem assimiladas por toda a equipe.
O maior
triunfo da equipe é ao mesmo tempo seu maior risco: uma equipe em que todos
jogam. Tanto Sschweinsteiger quanto Khedira, os dois volantes, saem para o jogo
(como pode ser visto na imagem abaixo). Não há um primeiro volante marcador,
pronto para fazer coberturas e matar contra-ataques.
Ao mesmo tempo
que envolve e sufoca, deixa espaços para contra-ataques, transições ofensivas e
bolas longas. Para que esse risco seja diminuído, é necessário que os zagueiros
estejam sempre atentos e não hesitem (o que foi visível no segundo gol da
Itália: bola longa para Balotelli, Lahm tentou fazer linha de impedimento, mas
demorou, deixando Balotelli em condição legal e sozinho).
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| Khedira (amarelo) e Schweinsteiger (azul): os dois volantes da Alemanha participam efetivamente das ações ofensivas. Reparem como há sete jogadores alemães ocupando o último quarto do campo. |
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| O risco que a Alemanha corre: bola longa nas costas da defesa. A indecisão de Lahm permitiu que Balotelli ficasse livre e em condição legal para marcar o segundo gol na semi. |
O balanço
final é: o futebol agradece. É possível chegar longe com futebol jogado,
mobilidade, trocas de posições e trocas de passe. Muito do que foi observado já
tinha sido abordado nesse espaço. A única das que chegaram longe e tem uma
proposta diferente é Portugal, mas isso se deve ás características de seus
jogadores (principalmente do seu craque- com a ressalva importantíssima que é
válido jogar para que o craque brilhe, e não esperando que seu craque brilhe).



























